Nossa História

A nossa história tem muitas camadas. Mas, para pegar todas elas, que nem todas as camadas desejadas de um bolo deliciosamente recheado, leia ambas versões e nos conte, no casamento, de qual você gostou mais!

Versão contada pela Karina

Alguns dias depois de nossos caminhos se cruzarem na imensidão da internet, decidimos nos encontrar de verdade. Eu cheguei um pouco atrasada, afogada na correria do fim do semestre, enquanto ele veio direto do trabalho. Recém-chegado à cidade, foi ele quem acabou me guiando pelas ruas, porque mesmo sem conhecer bem o caminho, ele ainda era um guia mais confiável do que eu. Contei a ele sobre minha relação instável e profunda com borboletas e como essa dança caótica acabou virando tatuagem no meio do meu peito. Ele, com olhos atentos e alma gentil, puxou da mochila uma borboleta que havia encontrado no chão um dia antes, e guardado com carinho para enviar junto com uma carta. Em pé, na linha verde do metrô, senti que havia mais do que acaso no nosso encontro. 

Conversamos por horas sobre a vida, nossas famílias, política, educação, o mundo e o que sonhávamos para o futuro. As pessoas ao redor nos olhavam com ternura, espantadas ao saber que aquele era nosso primeiro encontro. Tínhamos a leveza dos velhos amigos, o brilho de quem quer capturar todos os detalhes do momento e a sede de quem tem pressa para mergulhar na imensidão do outro.

Versão contada pelo João

Em 2017, me mudei para São Paulo. E das primeiras semanas, guardo duas memórias: eu dizendo a um amigo que estava cansado de ser solteiro, e a Karina me ligando para conversar, do nada. Eu odiava falar ao telefone, mas nossa primeira conversa acabou com quase uma hora e um sentimento bom.

Marcamos de nos encontrar na Quinta. Ela desmarcou. Virou Sexta.

Coincidência ou não, na Sexta, pela manhã, encontrei uma borboleta morta, guardei numa caderneta para usá-la numa carta que escreveria à filha de um amigo, como prova de que existia beleza em São Paulo.

À noite, enquanto a esperava naquela estação fria, enxerguei-a chegar de longe, e atravessar a catraca para me encontrar, com um sorriso que poderia iluminar São Paulo inteira.

Nos primeiros minutos, eu já estava perdido nos seus olhos, e pensava que poderia beijá-la ali mesmo. Quando ela falou que era professora e tia, falei sobre a carta e mostrei a borboleta.

Ela congelou e contou que sempre teve medo de borboletas. Mas que, desde a morte do seu melhor amigo, uma borboleta no funeral havia virado um símbolo, a ponto de tatuá-la no corpo.

Era um sinal. Um milagre tecido na costura improvável do destino.

A noite se desenrolou: conversas, bebidas, nosso primeiro beijo e, embaixo do MASP, eu dizendo que poderia começar a namorá-la naquele instante (meu primeiro pedido).

Na Augusta, paramos para comer cachorro-quente. Durante risadas, cuspi, sem querer, um pedacinho de pão no cabelo dela. Ela morreu de rir. Fez questão de comentar isso com as pessoas na nossa mesa ao lado. A menina do grupo estranhou, parecíamos muito íntimos e confortáveis um com o outro para ser nosso primeiro encontro.

Mais tarde, um bêbado gritou para eu nunca perdê-la. Um outro, morador de rua, nos parou, segurou meu rosto com as duas mãos e disse que eu tinha o axé de Deus.

Nosso primeiro encontro foi um ritual arcano desenhado pelo destino: A entrada, o primeiro toque, o pão, o vinho, os votos de que nunca iria perdê-la, e a benção final.

No dia seguinte, desmarquei os encontros que eu tinha com outras moças, dizendo que eu havia encontrado o amor da minha vida.

Ainda a pedi em namoro mais duas vezes até ela aceitar.

E não me arrependo de nada.


Nos vemos em Agosto! ❤️